Crônicas
Jóias do Penhor – O penhor do maragato
Cheguei no hall da agência faltando pouco mais de quinze minutos para a abertura do expediente.
A fila dava voltas no ambiente do autoatendimento. O primeiro cliente, que estava próximo da porta giratória, chamou atenção por ser um gaúcho pilchado a capricho. Todo na estica – como diria uma saudosa tia de Rio Pardo –, devidamente
Jóias do Penhor – O namorado da viúva do promotor
A maioria das pessoas contratantes de empréstimo sob penhor de joias é formada de mulheres. E a maioria das mulheres são professoras. Mas isso é, apenas, um dado estatístico, pois homens também fazem penhor.
Assim, sentou-se em minha frente um senhor alto e com volumosos cabelos brancos. Muito conversador. Ao entregar-me a cédula de identidade percebi,
Jóias do Penhor – As mulheres de Nádio
Quando acionei a senha 69, ela veio toda espalhafatosa em direção ao guichê.
Uma morena bronzeada, cabelos extremamente curtos e olhos verdes. Uma pintinha ao lado da boca, igual a da Débora Secco, era, apenas, um detalhe. Estava ornamentada com meia dúzia de pulseiras em cada braço. Bijuterias de qualidade duvidosa.
Sem deixar de falar ao celular,
Jóias do Penhor – A perua
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Ela entrou nas dependências da agência e olhou discretamente para o penhor. Tinha umas grandes e indecentes olheiras, um esquilo enrolado no pescoço e um cachorro à tira-colo.
Uma crônica ambulante vem em minha direção. Pensei.
À medida que se aproximava do guichê, verifiquei que estava enganado. Ela possuía uns estranhos óculos escuros, um chamativo casaco de
Jóias do Penhor – Agente funerário
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Parte I – Caixa Econômica Federal.
Athos Ronaldo Miralha da Cunha.
Não lembro direito, mas era uma sexta-feira 13 de um agosto sem graça.
De repente, como por encanto, a tarde de Santa Maria tornou-se escura, nuvens negras fecharam o tempo e relâmpagos e trovadas alvorotaram os passantes. Correrias e passadas largas agitavam o Calçadão e a praça
Jóias do Penhor – O senhor conheceu o Getúlio?
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Essa foi a pergunta que a mutuária fez após tecer rasgados elogios ao ex-presidente e maldizer o mês do cachorro louco. Estávamos no dia 06 de agosto e lamentávamos as vítimas das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki no Japão há mais de 60 anos.
Mas o questionamento me pegou no contrapé. Com a guarda baixa
Jóias do Penhor – O penhor do Pinto Rosa
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Certa tarde, de um dia quente desse nosso verão escaldante, entra no recinto do penhor, um senhor alto, todo banhado em suor. Um gringo magro do interior de Anta Gorda com uma larga vivência urbana, esperto e conversador. Dirige-se diretamente ao avaliador de penhores, que estava absorto na leitura de um informativo do sindicato com
Jóias do Penhor – Luiza Tatuagem
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Ela entrou exuberante.
Com um trejeito de top model desfilou pelo recinto do penhor. Sentou-se em uma poltrona bem em frente ao meu guichê. Uma fábula, uma tentação, um terrorismo biológico arrasando corações. Loura, esbelta e com um bronzeado de fevereiro em pleno novembro chuvoso.
Após alguns minutos, ao chamar a senha 24, o monumento ambulante encaminha-se
Jóias do Penhor – Bondosa Velhinha
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Chamava-se Anita Maria Garibaldi Deodora Prestes da Fonseca. Uma bondosa anciã. Morava em um distrito de Santa Maria e vinha todo santo mês pagar a prestação de seu financiamento habitacional no caixa da Caixa.
Diante da simpatia e das atitudes amáveis daquela bem-falante senhora, certa vez, resolvi fazer um comentário sobre o seu nome.
Jóias do Penhor – As abotoaduras do Conde
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As abotoaduras do Conde
No dia em que a Caixa comemorava os 145 anos, a temperatura ambiente estava insuportável e o ar condicionado da agência funcionava precariamente. Dona Alzira se aproxima do guichê, lentamente, pois os anos eram antigos para ela. Sorriu e sentou-se. Dona Alzira tinha as mãos trêmulas em virtude do Mal




